domingo, 21 de novembro de 2010

Chuva, Chocolate, Paixão "Prólogo"

Marta fica presa em Belo Horizonte durante todas as suas férias, mas dessa forma cosnegue nos contar um pouco sua história com um garoto que se faz de misterioso e sempre mexe com ela. Uma história mais longa, quatro capítulos ou mais, que realmente me surpreendeu.


Alguém lá em cima definitivamente não vai com a minha cara – pensei enquanto pisava dentro do salão de festas totalmente decorado.

Porque estamos em dezembro. Dezembro, verão, férias, praia, azaração são palavras que rimam, tem sincronia. São melódicas, dá um samba. Tenho uma teoria que diz que se, só se, algo combina tão perfeitamente bem e soa tão bonito é porque é destinado a ficar junto. Ou seja, dezembro não é dezembro se não é verão. Férias não são férias se não tiver praia incluída no meio. E tudo isso junto não significa nada se não houver homens bonitos e disponíveis.
O que, claro, nunca me atingiu. Nunca vi todas essas coisas juntas, já que passo minhas férias em família.
Geralmente faz muito calor em Belo Horizonte nesse período do ano. Aquele calor que bate, sufoca e te faz suar a bunda mesmo você estando sentado em frente à sua televisão, comendo pipoca e com o ar condicionado ligado no -17°C. Mas não quando eu preciso de calor. Claro que não. As minhas férias já não poderiam estar melhores mesmo. Ficar na casa dos avós em uma metrópole, sem poder sair e sem contato com o mundo exterior é o que sempre planejo pras férias.
Então, assim que minha mãe avisa que temos uma festa de casamento muito legal e divertida... Chove. E, além de chover, a temperatura cai para “era glacial, favor colocar seus casacos”. Poxa, calor, logo agora?
Mesmo assim não sou o tipo de pessoa que desiste fácil das coisas. Se comprei um mini-vestido a cara do verão, curtíssimo e de alças, eu vou com esse mesmo vestido a cara do verão mesmo os termômetros avisando não ser uma boa idéia.
Meus pais avisaram: coloca um casaco nisso aí. Eu neguei veementemente. Se colocasse um casaco estragaria todo o look. Sou sinistra, resistente até a tempestade de neve.

Você pode estar agora dizendo “você mereceu”, assim como minha mãe está me dizendo “eu te avisei”, enquanto um vento frio se enrosca nas minhas pernas e vai subindo por debaixo do babado do vestido.
Merda.
Eu deveria ter colocado um casaco.
Porém não me canso de repetir: não desisto fácil das coisas.
Entro no salão com a cabeça erguida, assim como todos os meus pêlos, e logo dou de cara com ele.

Pois é. Alguém lá em cima definitivamente não gosta de mim.

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