Respondendo a pergunta que talvez você não tenha feito, nós continuamos amigos pra sempre. Bem do jeito que ele queria. Talvez não do jeito que eu sempre sonhava, mas eu tinha o Leonardo do meu lado o tempo todo.
E quando digo o tempo todo, quero dizer todo o tempo.
Eu o tinha, mas não o tinha. Era um puto de um paradoxo muito ruim que me deixou pra baixo algumas vezes. Mas juro pular todo o melodrama. Afinal, não cheguei a chorar por ele tantas vezes assim e não seria a Clarissa que sou hoje se passasse capítulos e capítulos contando os meus dramas de amor platônico e toda aquela coisa de não sou amada, me ajudem (carinha triste).
A primeira vez que chorei foi quando ele me chamou de “irmã mais linda do mundo”. O que é doentio. A classificação de irmã me afetou de um jeito tão grande porque foi quando percebi que era assim mesmo que ele me via. Como uma irmãzinha menor e que sempre seria uma criança. Nesse dia devo ter virado a noite morrendo e acordado com quilos de olheiras.
A segunda e última vez foi quando ele me contou que estava namorando uma garota chamada Alissa. Foi a primeira verdadeira namorada dele e acho que foi a primeira menina de quem ele realmente gostou. Como de praxe, ela era dois anos mais velha do que ele e desconfio que foi com ela com quem ele fez a primeira bobeirinha, mesmo não tendo me contado na época.
Fiquei tão arrasada quando ele me deus as boas novas que devo ter ficado de depressão uma semana, sem ânimo pra nada. Que esperto da sua parte, não, Clarissa?
Por fim também peço licença pra pular toda parte boba de adolescente apaixonada que fantasia um milhão de coisas em cima de cada mínima frase que seu amor fala. Funciona mais ou menos assim.
Leonardo diz:
_ Minha cor preferida é o marrom.
Clarissa pensa:
Nossa, eu sou morena. Se eu sou morena, consequentemente sou marrom e se marrom é a cor preferida dele isso é uma indireta em que ele tenta dizer que gosta da minha cor.
Deprimente, eu sei. E olha que peguei leve nessa viagem aí.
Mas acho que a pior das piores viagens que eu tinha com Leonardo era quando eu encarava o ciúme doentio que ele tinha de mim como algo além de só “ciúmes doentio”.
Deixe esclarecer algumas coisas.
Foram dois anos de amor louco e, veja só, acontecem mudanças bem... Perceptíveis quando se passa de quatorze para dezesseis anos. Bom, talvez com as mulheres sim. Então ganhei um belo par de seios, minha bunda ficou grande e os garotos passaram a me classificar como gostosa.
E, como era o esperado, choveu homem na minha horta.
Leonardo, por sua vez, odiava qualquer e todo menino que pudesse ser classificado na categoria “homem”. Principalmente se esse “homem” resolvesse dar em cima de mim ou pior... som de tambores rufando... chegar em mim. O que depois de um tempo passa a ser um probleminha, já que Leonardo com seus belos dezoito anos tinha uma caixa toráxica bastante desenvolvida, um par de bíceps bem gradinhos e seus um e noventa que intimidavam qualquer marmanjo.
Obrigada, Deus, por não ter colocado irmãos na minha vida. Porque com um amigo desses, eu não precisaria nem de pais.
Alguns, mesmo contra todas as expectativas, ameaçavam se aproximar de mim. Outros paravam na Grande Muralha Leonardo.
O que no início era fofo e uma grande prova de que ele também nutria sentimentos por mim, no final passou a ser um grande pé no saco. Comecei a perceber isso quando o namoro com Alissa começava a ficar mais sério e ele ainda pegava no meu pé dia e noite. Com perguntas do tipo “quem é esse menino, Clarissa?”, “você vai começar a ficar falada, hein”, “tome cuidado com as pessoas que você se envolve” e até chegar ao extremo de conversar com a minha mãe e pedir que ela me proibisse de sair com essa ou aquela pessoa.
GRR.
Ainda assim, tive as minhas inúmeras infrutíferas experiências amorosas mesmo com tanta pressão “externa”. Fiz vários caras se apaixonarem perdidamente por mim (e não estou sendo metida, só não gosto de falsa modéstia). Ouvi gaguejarem, tremerem e suarem frio vários meninos para dizer um euteamo muito inaudível e depois, como ainda não era tão má a ponto de rir na cara deles, eu fazia uma cara bonitinha e me livrava deles no dia seguinte.
Meninos que te amam são muito insuportáveis.
Acabei não namorando ninguém no final, porque eu amava muito mesmo Leonardo. Quando se tem um grande amor, ele dura pra sempre, não é verdade?
Quase isso.
É mais ou menos assim: eu amo minha família, amo meus pais, meu cachorro e meu celular. Mas chamo esse tipo de amor é o que chamo de amor seguro. Afinal; nunca vou pegar meu pai na cama com minha melhor amiga (ou vou?); meu cachorro, que já está quase morrendo, nunca, eu espero, foi pra balada depois de me deixar em casa; e meu celular geralmente não mente – ao menos que receba mensagens mentirosas, mas aí já nem é culpa dele.
Tive ainda muitos relacionamentos rápidos que acabaram meio tragicamente: eu matando o infeliz (brincadeira, só teve uma vez que deixei o menino esperando no cinema e isso nem é tão maldoso assim). Mas nenhum deles foi tão devastador quanto o que dá nome às fases da minha vida. Os períodos pré, durante e pós Leonardo.
E eu aqui, dizendo que pularia todo o melodrama e ainda sim gastando linhas e linhas me lamentando.
Então segue o dia em que percebi que não deixaria Leonardo controlar minha vida, meus pensamentos e meu coração.
Eu não conseguia calcular o tanto que estava puta. Estava tão puta que todas as TPMS de todas as mulheres do mundo juntas não se comparavam ao estado de raiva que eu me encontrava. Ajeitei novamente o vestido preto tubinho que teimava em subir de uma forma tão bruta que quase deixei a mostra os meus peitos. Em pensar que no início da noite eu estava tão animada, me achando super sexy e boa... Respirei fundo, não me deixaria abalar daquela forma. Arrumei os cabelos e entrei na festa.
Acontece que esse mesmo vestido preto tinha sido a principal causa de o Leonardo passar todo o caminho da minha casa até a festa reclamando de mim. Melhor, todo o caminho desde a minha casa.
Eu havia passado algumas boas horas me arrumando pra festa, tentando impressionar vocês-sabem-quem. Então desci as escadas quicando de felicidade esperando ouvir ao menos um elogio e tudo que recebi foi um:
_ Esse vestido está muito curto, pode ir trocar.
_ Você está brincando, não é?
_ Claro que não - ele respondeu muito sério.
Fiquei possessa e passei por ele sem ao menos olhar na sua cara.
_ Eu não vou te levar a lugar algum com essa roupa, Clarissa! – ele gritou da porta da minha casa quando eu já estava no jardim.
Virei pra trás indignada.
_ É melhor você entrar dentro desse carro, Leonardo, ou você vai se arrepender muito – ameacei, mas sabia que se ele não quisesse, não entraria.
Ele pensou por dois minutos e na hora não entendi o que o havia feito mudar de idéia, só mais tarde entendi que era porque ele tinha que buscar a Alissa e já estava atrasado (o que me deixou ainda mais brava) e discutir comigo tomaria muito tempo.
Se eu achava que dentro do carro teria paz, estava muito enganada.
Ele passou trinta minutos falando do meu vestido, da minha maquiagem pesada que me fazia parecer uma prostituta e até nas minhas unhas vermelhas ele colocou defeito. Nesse meio tempo surpreendentemente sobrou espaço para ele perceber que eu estava calada.
_ Por que está tão calada? – ele perguntou, mesmo sabendo que só fico assim quando estou muito puta.
E eu estava puta não somente com a bomba de críticas que recebi quando eu me sentia muito linda, obrigada. Estava puta porque havia começado a perceber que aquele ciúmes doentio dele era realmente só um ciúmes doentio e não tinha nada a ver com não-dê-moral-pra-eles-e-sim-pra-mim.
_ Não vai passar pra buscar a Alissa? – perguntei acidamente, sem olhar pra ele.
_ Vou sim, depois que te deixar na festa – Ah, claro - Vem cá, porque está falando assim comigo?
1,2,3,4...
_ Porque eu estou muito puta com você, Leonardo! – explodi, ele se assustou tanto que passou pra outra pista e quase bateu em uma moto – Você não para de me criticar um segundo, acha defeito em cada maldito lugar em mim. Eu não agüento mais a porra dos seus ciúmes. Eu quero ter a minha vida, quero tomar as minhas decisões e não preciso de um pai me seguindo em todo o lugar que eu vou. Então cala a porra dessa sua boquinha e continua dirigindo, porque mais uma crise de ciúmes sua e eu pulo dessa janela na mesma hora.
Eu nunca havia explodido daquele jeito. Nunca, com ninguém. Precisei até respirar depois de vomitar tudo aquilo. E depois... Bem, eu nunca havia me sentido tão leve.
Depois de tantas coisas que nunca havia feito eu deveria ter percebido o que aquela festa me aguardava, mas na hora estava mais preocupada com a reação do Léo.
Ele provavelmente pararia o carro e, ou me mandaria descer, ou me levaria de volta pra casa.
Mas ele não falou nada. Muito menos parou o carro. Continuou dirigindo com os olhos na estrada. Julgando pela forma com que ele abria a boca pra falar alguma coisa, mas parecia não achar as palavras, acho que pela primeira vez na vida ele percebeu que eu tinha razão. Ou estava muito chocado com o fato de descobrir que, ah meu Deus, a Cacá sabe o que é um palavrão.
Ou um ou outro.
De todo jeito ele continuou no caminho da festa em um silêncio mortal. A essa altura eu já estava me arrependendo de ter gritado com ele, falado palavrões e o mandado ficar caladinho. O Leonardo caladinho era muito mais assustador do que falando.
Mas pela sua cara devia ele estar mais ressentido do que bravo.
O resto da viagem foi esquisita. Eu queria falar, mas não podia descer do salto. Então aquele silêncio ruim tomou conta de cada milímetro de espaço e foi me sufocando, me sufocando...
Quando ele finalmente parou o carro na frente do salão de festas achei que teria um ataque cardíaco. Controlei meu descontrole e tentei descer com classe, mas a porta estava trancada.
Hum, ótimo.
Olhei pra ele com uma falha tentativa de olhar intimidador. Ah, peguem leve, eu realmente estava ressentida de ter brigado com ele. Minha raiva já era só fachada.
_ Desculpa – ele pediu, ainda sem olhar pra mim.
_ Não, você me desculpa – disse, praticamente me derretendo com aquela carinha de magoado.
_ Olha, eu sei que não posso mandar em você...
_ É, devia ter percebido isso antes.
_ ... Mas é que eu acho que você quer muito mais do que dançar nessa festa hoje.
Foi a mesma coisa que acender outro pavio dentro de mim. Todo o ressentimento se esvaeceu feito gás.
_ E se for? – eu disse num tom de voz mais alto - O que é da sua conta?
_ Eu sou responsável por você, imbecil.
_ Não é não, imbecil!
_ Não? Posso te levar pra casa agora mesmo e te fazer ficar de castigo por uma semana – ameaçou.
Respirei muito, muito fundo para não gritar. Sabia que ele havia usado a carta principal: sua mãe confia mais em mim do que em você. Sabia que era verdade, mas não podia admitir. Mas minha raiva crescia tão rápido que eu não consegui controlar minha língua.
Olhei bem no fundo dos olhos dele e disse pausadamente:
_ Se você fizer isso, Leonardo, eu vou te odiar pro resto da minha vida.
E tive o efeito esperado.
Léo passou a mão pelos cabelos, bufou e fez aquela cara de irritado. Eu até hoje amo o deixar irritado só pra ver essa cara, e olha que nos últimos anos eu a vi muitas vezes. Olhou no relógio, constatou que já era tarde e que a Alissa devia estar brava e, finalmente, abriu a porta do carro. Provavelmente previu que aquela discussão poderia durar horas e horas.
Saí imediatamente, esperando não deixar espaços pra novos diálogos.
_ Eu quero que você me espere bem aí, não entre ainda. Vou demorar dez minutinhos, nós ainda não terminamos.
Aham, Leonardo. Claro que vou esperar. Principalmente porque você não me quer dentro do carro porque Alissa tem ciúmes de mim.
Assim que coloquei os pés no salão lotado, a realidade veio até mim como uma bomba.
Eu havia brigado pela primeira vez com Leonardo. E mais de uma vez.
Antes fosse a única coisa que fiz naquela bendita festa – brigar com o Léo foi só a ponta do iceberg de loucuras daquela noite.
Pra começar, eu bebi muito. Confesso também que nunca havia bebido antes e que me descobri um pouco fraca pra álcool e afins. Outra coisa: beijei mais garotos do que já havia beijado a minha vida toda, e eu nem precisei contar para confirmar isso. Mas, de longe, a maior loucura foi acordar na casa de um quase-desconhecido.
A festa estava lotada, ponto. Não era possível andar direito no meio daquele monte de gente e acabei por não conseguir achar as minhas amigas. Meu celular tinha ficado dentro do carro. No meio de uma festa daquelas, completamente perdida e esperando Leonardo me achar a qualquer momento e me levar pra casa, acabei procurando caminho mais rápido pro open bar.
Nunca havia feito aquilo antes.
Não sabia o que fazer, então o bartender me ajudou e me deu uma dica de bebida. Aquela desgraça era forte, praticamente metade do copo era vodka. Até hoje fico meio ruim quando bebo isso, imagine com dezesseis anos e nenhum histórico de internação por coma alcoólico?
Caralho, fiquei muito louca.
E mesmo louca eu podia sentir a presença do Leonardo em todo o lugar. Sabia que ele estava me vigiando e não sei se por ação do álcool ou por estar começando a mudar, eu não dei a mínima.
Uma vez cheguei a dar um gritinho quando topei com ele na minha frente, a centímetros de mim.
_ Leonardo! – gritei, já bastante alterada.
_ O que pensa que está fazendo? – ele perguntou com o cenho franzido e um ar de bem poucos amigos.
_ Eu estou... – tive que parar e pensar no que diria. Cara, como eu estava bêbada – Me divertindo, não está vendo?
_ Divertindo? – seu tom era de raiva contida – Pensa que ficar se esfregando nesses imbecis é diversão, Clarissa?
_ Hmmmm... – nova pausa para processamento – É bem legal, você devia tentar. Você é gay?
Então ele pegou meu braço bruscamente e me puxou pra cima, como se quisesse que eu visse a raiva fluir pelos seus olhos. Eu vi, mas não me importei muito. Aliás, as coisas já estavam meio fora de foco mesmo...
Fingi que processava tudo o que ele me falava enquanto esquadrinhava seu rosto.
Por que você tem que ser tão bonito, desgraçado? Era o que eu pensava a todo o momento.
Ele deve ter ralhado comigo uns cinco minutos.
_ Quer saber? – respondi me livrando do seu aperto e rindo em seguida – Você é engraçado. Já sei o que vou fazer... Vou me esfregar em tooodos os caras daqui, não é uma boa idéia?
Completei, sumindo na confusão de luz e cores da pista de dança. Aposto que Leonardo ficou com uma cara completa de tacho, me vendo rebolar até desaparecer. Porque além de tonta eu estava gata, e homem sempre é homem.
Bem, o que fiz em seguida é um ponto escuro. Desconfio de que tinha mais do que vodka no meu copo, mas é algo que não posso provar. Ainda não sabia como era o gosto de drogas, então não sou capaz de diferenciar. São duas horas de falha total, e nem quero imaginar o que posso ter feito nesse meio tempo já que a minha memória só volta quando estou sentada no banco do bar.
Sentada não é bem a palavra certa. Eu parecia uma boneca de pano que fora jogada em um canto qualquer. O que quer que tenha acontecido nessas duas horas foi o suficiente para me deixar detonada.
Minha cabeça descansava na mão e eu não via muito mais do que a madeira do balcão. Não conseguia mover nenhum músculo e meu corpo já pedia cama.
_ Mais alguma coisa, moça? – o garçom perguntou, tirando o copo vazio da minha frente.
_ S-sim... – gaguejei, levantando a cabeça devagar e encarando o cara. Provavelmente eu estava preste a dizer “qualquer porcaria”, mas vendo o quanto ele era gato, reformulei – Um beijo, pode ser?
Ele riu, guardando algumas garrafas embaixo do balcão e limpando as mãos no avental. Pensei que ele ao menos me zombaria, mas nem falou nada e virou-se de costas pra mim.
Ótimo, um fora de um garçom.
Deixei a cabeça cair nas mãos novamente. Alguma noção de que eu deveria ir embora, que deveria achar Leonardo - ou qualquer resquício de sanidade, começou a vagar pelos meus pensamentos. Mas eles estavam muito confusos.
Descobri porque as pessoas bebem para esquecer os problemas.
_ Como é o seu nome, garota? – o garçom gato perguntou, me assustando.
_ E isso importa? – murmurei ainda de cabeça baixa.
_ Quer dizer que não se lembra.
_ Mais ou menos isso, gatinho.
_ Clarissa! - alguém me chamou, reconheci a voz de imediato.
O garçom riu, talvez por descobrir meu nome, e me deixou sozinha novamente. Ou quase, já que Léo se aproximava de mim com uma expressão furiosa.
_ O que aconteceu, Léo? – perguntei naquela inocência típica de porre.
Isso me faz rir até hoje. Ele deve ter ficado muito irado com essa pergunta.
_ O que aconteceu, Clarissa? Que INFERNO! – ele gritou mesmo, tão alto que mesmo com a música algumas pessoas olharam pra gente – Eu estou te procurando faz horas, a Alissa está puta comigo porque eu só estou preocupado com você e, por fim, ouço falar que uma “gostosa do caralho” estava dançando em cima da mesa. Uma tal de Clarissa está andando por aí muito louca, você viu? Então quando eu te acho você me pergunta o que PORRA está acontecendo?
_ Legal, Léo – respondi entusiasmada de verdade - Agora me compra uma caipirinha, por favor.
Se alguém, algum dia, já conseguiu explodir de raiva, esse alguém estava em um estado muito próximo ao que o Leonardo ficou assim que soltei minha última pérola.
Quero dizer, acho que ele esperava que eu me desculpasse, que ficasse calada, que vomitasse e até que começasse a chorar. Mas não que eu dissesse nada parecido com “Legal” ou ainda “você pode me embebedar mais, por favor?”.
Sinceramente cheguei a pensar que ele me enforcaria, ou me daria um murro e tudo o mais. E, sinceramente, talvez ele o fizesse se alguém não tivesse nos interrompido na hora.
_ Leonardo? – era o Túlio, que na hora eu havia classificado como “ahmeudeusdocéhmeudeusdoc hora eu havia classificado como " com ele na minha frente, a centachar a qualquer momento e me levar pra casa, acabu que Deus Grego é esse?"
O Túlio é desses caras que chamam atenção de uma vez. É alto, dos cabelos e pretos e dos olhos muito claros. Fazia um contraste interessante com o tom moreno escuro da pele do Léo.
_ Oi, Túilo - Léo o cumprimentou tentando parecer feliz - Tudo bem?
_ Tudo ótimo, festa legal e... Nossa!
_ Oi, prazer. Meu nome é Clarissa, não Nossa. Mas, enfim, me chame como quiser.
Patético. Não se esqueçam de que eu estava muito bêbada. Geralmente não saio passando cantadas podres pra qualquer um que conheço pela primeira vez. Mas pensando melhor, não peço beijos para garçons, então...
Túlio só riu e me estendeu a mão.
Quando fui me levantar para cumprimentá-lo, minhas vistas se foram e eu quase levei um tombo. E a cena não para de ficar mais patética: Túlio me segurou, rindo de novo.
_ Nossa, como você é gato - mandei assim que fiquei bem perto do rosto dele.
Bem, também não saio julgando se as pessoas são ou não são bonitas dessa forma bastante audível com muita freqüência.Mas funcionou.
Quando estávamos quase nos beijando, Leonardo me puxou pelo braço de uma só vez.
_ Ei, ótario! - reclamei, meio sem saber por que estava reclamando.
Alguém, por favor, me lembre disso na próxima vez que eu quiser misturar tequila com vodka.
_ Desculpe, Túlio, você é meu amigo, mas... Ela está muito bêbada.
_ Não estou, não! - gritei de novo, mas minha exclamação ficou meio falha já que tive que apoiar nele pra não cair.
O infeliz só rolou os olhos pra mim, como se eu não fosse nada além de uma mosca pousando no seu ombro.
_ Tudo bem, a gente se vê por aí - Túlio disse em um tom de desculpas.
_ Nós estamos indo embora agora - Leonardo sibilou pra mim assim que Túlio se afastou um pouquinho.
Demorei dois segundos pra racionar aquilo.
_ Não vou embora agora não, docinho - afirmei numa voz de bebê, pegando nas bochechas dele - Túlio, espera aí!
Então pulei em cima dele e o beijei.
Acho que não restam dúvidas de que a casa do "quase-desconhecido" que acordei no outro dia foi a do Túlio. Ou seja, novo lugar pra curtir a ressaca do primeiro porre.
Seria ainda mais confortável se eu estivesse usando minhas próprias roupas quando acordei.
Caralho, foi muito engraçado escrever esse daqui. Eu fico me imaginando tomando um porre e se eu faria esse tipo de coisa. Provavelmente não. KKKKKK Mas e ai? As tranformações da Clarissa te agradam?
Ainda nem comecei a escrever o novo capítulo, então vai demoraaar HAHA